segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Parte 03 - Véspera.

Uns dois dias, era véspera. No dia seguinte, o Encanto sobre as Campinas teria que ser renovado.
Siih disse para o irmão que queria conhecer as Encantadoras que iriam trabalhar sobre as Campinas. Lefi estranhou, mas mandou o recado para todas as Encantadoras e o encontro seria realizado às seis horas da tarde.

Eram cinco da tarde. O sol descia lentamente, com as cores tingindo o céu e dando lugar ao azul mais escuro.
Siih estava em sua sala, onde havia a enorme poltrona toda decorada e a mesa em frente. Era a chamada Sala da Majestade. Sim, o formato da realeza entre as fadas não é o normal onde o Rei/Rainha ficam o dia inteiro plantados em tronos chiques com um enorme tapete vermelho.

Siih era uma mulher séria, Rainha de um país enorme, e jamais ficaria plantada em um trono o dia inteiro! Isso soa a ela como um insulto. Reis são, na opinião dela, governantes e devem se responsabilizar por tudo pelo país. Talvez ela fique bastante sobrecarregada, mas existem as outras fadas e elfos para lhe ajudarem.

- Vossa Majestade - disse Libby, fazendo reverência - as Encantadoras estão aí.
Siih levantou a cabeça, com o olhar inexpressivo.
- Mande-as entrar - disse e voltou a atenção para o relatório número 15823256412² a respeito de estranhos ratos amarelos no oeste de alguma colônia élfica {N.A.: como não sabia o masculino de fada - "fado" é esculhambação, ok? - coloquei "elfo" como masculino de fada. Portanto fada e elfo são o mesmo ser. E "élfico" é a locução adjetiva das fadas, ou qualquer coisa assim. Mas não é assim no RPG, oks?).
- Sim, Vossa Majestade - disse Libby. Ela caminhou até a enorme porta que dava para um corredor imenso e largo que acabava no esplêndido jardim em frente ao palácio. Sete meninas apareceram atrás da porta.

De esquerda pra direita:
Kibby Noomie: alta, loira, olhos frios de gelo. Dizem que nasceu no norte, por isso os mantos de pelo que usa. Não suporta o calor. Seus pais foram mortos por lobos quando ela tinha dez anos, e desde então viveu com a Mestra de Lung. Tem vinte anos e é classe A+.

Kupta My: baixa, magra feito esqueleto, olhos castanhos e inexpressivos. Não se sabe onde nasceu, quem foram seus pais. Só se sabe que ela estava em um orfanato até os dezoito anos. Poder absurdamente grande, mas pouca capacidade de controle. Tem obsessão pela magreza. Vinte e dois anos, classe A+.

Lounie Othi: uma fada pequena, fria, olhos vermelhos. Seu passado é um mistério, só se sabendo de alguns detalhes como, por exemplo, que foi educada por vampiros e era uma assassina profissional até os seus dezoito anos e ser presa. Desde então aperfeiçoou suas habilidades e passou a trabalhar como Encantadora.
Adora o gosto e o cheiro de sangue, vinte e quatro anos, classe A.

Lucy Meriïh: loira, seca, esquálida. Possui uma família rica no reino Kappine, foi treinada desde cedo para ser uma Encantadora. Apesar da rígida educação, não tem tanto poder quanto a sua família almejara. Tentou suicído três vezes. Dezessete anos, classe B.

Indie Oplih: negra. Veio do sul, de alguma colônia com nome desconhecido. Tem excepcional poder bruto, responsável por vários incidentes desagradáveis como a explosão de um bosque inteiro, o que resultou em falta de alimento. Foi expulsa de algumas vilas, tida como bruxa. Dezessete anos, classe A+-.

Bia Premy: cabelo negro na altura dos ombros, corte jovial. Olhos azul-quase-meia-noite. Excepcional capacidade de controle, poder bruto absurdo. Não se sabe porque se mantém em uma categoria mediana para os padrões, nem tem fonte confiável o que ela faz além de Encantar. Vem de uma rica família, um irmão mais velho. Estudou em colégio interno desde os quatro aos quatorze anos. Dezesseis anos, classe B.

Olga Pumb: ruiva, olhos puxados e azuis. Estudou em um orfanato até os dez anos, quando foi adotada por uma rica família que a educou para ser Encantadora.

Possui pouco poder bruto, mas tem alguns diferencias o que motivou a aumentar o respeito. Vinte e dois anos, classe A.


Siih não sorriu. Eram as setes Encantadoras a sua frente. Elas estavam curiosas, não sabiam porque a Rainha queria vê-las.
- Muito bem, podem entrar - disse Siih - dê um passo a frente. Quero ver seus rostos.
As fadas não sorriram, somente obedeceram. Siih ficou a frente delas, sem esperar alguma reverência. Desde que o mundo é mundo, as Encantadoras eram seres que viviam alheios a essa coisa de obediência, realeza, sentimentos. Possuiam grandes poderes e o governo pagava milhões para utilizá-los.
- Na minha ficha, consta que vocês são a elite das Encantadoras - murmurou Siih - fiquei curiosa, queria conhecê-las. Mas... vocês não me parecem poderosas.
Ninguém disse alguma coisa. Somente olhavam a Rainha nos olhos, frias.
Seis horas da tarde e oito minutos.
- As Campinas é um lugar especial. Muito especial, e não só porque fica logo ali - murmurou Siih - alguma de vocês já participou dos Encantos sobre as Campinas?
Todas as fadas fizeram "não" com as cabeças. Siih suspirou.
- O feitiço sobre as Campinas existe somente há uns doze anos, é muito jovem - disse Siih - por isso é mais difícil, mais desgastante e exige mais poder, pois o poder é pouco. Espero que estejam preparadas. Estão?
As fadas fizeram "sim" com as cabeças. Siih não sabia mais o que dizer. Só queria ver seus rostos, saber como eram as Encantadoras agora. Donas de grandes poderes, muito jovens, famílias desequilibradas. Das sete garotas, cinco são órfãs e possuem passados confusos. E as outras duas vinham de famílias ricas, criadas para serem Encantadoras, porém preferiam viver sozinhas.

Desequilíbrio emocional.
Riqueza. Mistério. Tragédias.
Poder absoluto.

O que estava acontecendo com as Encantadoras de hoje em dia? Cadê aquelas de antigamente, em que eram doces, sorriam e espalhavam flores por todo o canto.

Eram felizes.

O que aconteceu, afinal? Porque as mais poderosas são justamente a possuem um passado trágico, misterioso, triste?

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- Kibii! Venha cá! - exclamou Umrae, seu grito ecoando por toda a campina.
Depois de cinco minutos, chegou uma Kibii ofegante, com a sua parafernália de flechas pontiagudas e o arco enorme, de madeira e ouro.
- Que foi? - resmungou - eu estava ocupada! :K
Umrae sorriu zombateira:
- Ah-ah. Vai deixar suas obrigações pra depois. Você e Fer tem que arranjar animal pra amanhã.
Kibii embirrou:
- Que diabos vai ter amanhã? Tããããããão importante assim? Para me tirar do me---
- ENCANTO! - Umrae gritou entusiasmada - esqueceu que vem SETE fadas ENCANTAR aqui? Vai, gostaria de umas duas galinhas e algum animal grande... Cadê a Fer, danada? ò.ó

Kibii saiu resmungando o quão era horrível sair do seu hobbie predileto {flechar maçãs com perfeição} para caçar um estúpido animal para alimentar o estômago egoísta de alguma fada chata ù.ú

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- O céu está lindo hoje - comentou Raveneh sentada em um tronco de árvore, diante da casa. Ela não estava comentando para ninguém em especial, somente para si. E para o bebê que dormia dentro do seu ventre, lá dentro, bem quentinho.
Raveneh sorriu.
Estava imersa em pensamentos distantes como se seria julgada dali a alguns meses, no Encanto no dia seguinte. Nunca havia visto um Encanto, pois onde viveu não tinha seres mágicos. Aliás, o reino em que Raveneh cresceu era o único conhecido que não havia nenhum ser mágico, somente humanos perfeitamente normais. Diz a história que foi uma grande guerra, há muitos e muitos anos, entre seres da magia e humanos. No final da guerra, os seres mágicos passaram a odiar os humanos nativos daquela terra e foram embora, não sem antes amaldiçoar aquele reino, seus nativos e os que estavam por nascer. Seria um reino em eterno estado de escuridão, depressão e ódio.
Raveneh bem conhecia esse terrível clima, onde o ódio pesava nos corações das pessoas e o sol nunca brilhava com alegria.

De repente sua visão foi ofuscada com um monte de rosas vermelhas se sacudindo na sua cara.
- Olá, Raveneh! - exclamou uma voz masculina e adorada.
Raveneh sorriu, deliciando diante daquelas bonitas rosas.
- São lindas, Johnny - murmurou sem conseguir parar de sorrir.
- Sim, são - Johnny concordou, sentando-se ao seu lado no tronco - eu queria que você ficasse mais... alegre.
Raveneh olhou para Johnny, com aquele olhar meigo.
- Noite linda, não? - murmurou Raveneh - dá para ver todas as estrelas. Está vendo a Ursa Menor?
- Sim... e as Três Marias também - disse Johnny olhando para o céu, fechando os olhos.
Raveneh também fechou os olhos, não vendo mais as estrelas, as constelações nem a face de Johnny. Somente fechou os olhos, abraçando o marido como se ela fosse cega e ele fosse seu guia. Pareciam um casal perfeito.

Mas perfeição não existe, e tanto Raveneh quanto Johnny sabiam disso perfeitamente.

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